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Notas do ateliê

Espaço para compartilhar ideias, processos, descobertas e inspirações que atravessam o fazer têxtil, com informação, pesquisa e muita troca.

Tecer esse algodão é honrar o tempo


Peça em processo no tear de 80 cm, com fios previamente tingidos com índigo vegetal.
Peça em processo no tear de 80 cm, com fios previamente tingidos com índigo vegetal.

Lembro-me de usar uma manta tecida em tear manual quando era bailarina; recordo-me também de tê-la perdido em algum bastidor escuro de um teatro no Rio de Janeiro. Naquele tempo de dança, eu não fazia a menor ideia do trabalho e da quantidade de horas empregadas para obter uma peça simples e relativamente pequena feita no tear.


Na primeira vez em que vi um tear, havia um cachecol bem colorido em processo de construção e uma mulher de coração enorme tecendo-o. O corpo da mulher e o objeto tear — naquela ocasião montado sobre o chão, comprido e não muito largo — executavam juntos algo parecido com uma dança. Guardo comigo essa memória; talvez a trama dessa lembrança já tenha se desfiado um pouco, mas garanto que o urdume permanece intacto. Essa mulher é hoje uma amiga muito próxima, e foi ela quem me ensinou o que sei até o momento sobre a tecelagem: minha querida Laura Valadão, atriz, tecelã, cantora e artista.


Peça tecido no tear de 40 cm e posteriormente tingida em degradê de tons de verde.
Peça tecido no tear de 40 cm e posteriormente tingida em degradê de tons de verde.

Tenho dois teares. O primeiro, com 40 cm, adquiri de segunda mão de uma tecelã. O outro tem 80 cm de largura e pertencia a uma aluna que se tornou minha amiga. Até agora, fiz apenas duas peças completas, uma em cada tear. A que mais uso em casa é este caminho de mesa, feito no tear menor com barbante de algodão e tingido, posteriormente, em um degradê de tons de verde.









A outra peça fiz no tear maior, com o mesmo barbante; no entanto, o fio foi tingido com índigo japonês antes da tecelagem.










Fio de algodão tingido com diferente banhos de índigo japonês.
Fio de algodão tingido com diferente banhos de índigo japonês.

Neste novo projeto que compartilho agora, utilizarei as duas técnicas de tingimento. A ideia é tecer seis jogos americanos com o fio Barroco Natural n.º 6, da Círculo, e tingi-los com índigo vegetal a posteriori, criando um degradê em tons de azul ou padrões em shibori (assunto para outro post, me lembrem!). Depois, pretendo tecer mais seis jogos, porém utilizando fios previamente tingidos com o índigo vegetal.


Urdume sendo montado para iniciar a produção de seis jogos americanos,
Urdume sendo montado para iniciar a produção de seis jogos americanos,

Ando estudando mais sobre teares e me deparo com todo tipo de informação na internet: desde conteúdos históricos a excelentes tutoriais sobre como passar os fios do urdume, calcular a quantidade e o comprimento dos fios, considerando perdas, tamanho desejado para o trabalho final e franjas.


No ano de 2025 participei de um curso de conservação têxtil voltado à curadoria e preservação de peças históricas. Durante a formação, estudamos diferentes tipos de teares, mas o que mais me marcou foi o tear de Jacquard. Ele permitia, por meio de cartões perfurados, tecer padrões altamente complexos de forma automatizada. Recentemente me deparei com a informação de que o conceito do computador moderno teve origem nesse mecanismo: os furos (ou a ausência deles) nos cartões funcionavam como um sistema binário de '0' e '1', servindo de base para os sistemas computacionais que conhecemos hoje.

Se desejar saber mais sobre esse tipo de tear e sobre essa história ligada com a computação, indico o artigo deste link. Está em inglês, mas pode ser possível traduzir utilizando esta função em seu navegador.


Obrigada e até o próximo blog post!

Teka Moran

Criopia casa de ideias 2026



 
 
 

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